Não há como autorizar investigação de Alexandre sem saber se Mendonça é suspeito, diz Zanin

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, votou, nesta terça-feira (15/9), a favor da redistribuição e organização das petições que discutem se magistrados da corte cometeram ilícitos no âmbito do caso do Banco Master.

Ministro Cristiano ZaninVictor Piemontes/STF
Ministro Cristiano Zanin acompanhou Gilmar Mendes em questão de ordem

Isso foi proposto de manhã pelo ministro Gilmar Mendes, que apresentou questão de ordem. Zanin acompanhou integralmente essa posição. Com isso, o Plenário já tem três votos nesse sentido, pois Flávio Dino teve o mesmo entendimento. Até agora, apenas o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, votou contra a redistribuição.

Zanin ressaltou que Fachin, ao assumir a relatoria da petição analisada nesta terça (Pet 16.662), mencionou que o resultado da deliberação poderia levar à suspeição do ministro André Mendonça, antigo relator do caso e responsável por autorizar apurações sobre Alexandre de Moraes.

Assim, na visão de Zanin, autorizar a investigação formal de Alexandre sem saber se haverá suspeição de Mendonça seria “uma inversão lógica”. Ele destacou que a suspeição, se reconhecida, tem consequências jurídicas. “Não é possível deliberarmos sobre algo que está ainda sujeito a verificação”, concluiu.

Outro argumento de Zanin é que não há pedido da Procuradoria-Geral da República para que o colegiado analise a abertura de um procedimento de investigação. Ele defendeu a oitiva da PGR sobre o tema.

Além disso, uma nota divulgada nesta segunda (14/9) pelo Supremo indicou que o relator delimitaria “o objeto do julgamento”. Zanin afirmou que isso não pode acontecer, pois o Ministério Público é o titular da ação penal e, consequentemente, da investigação: “Concordemos ou não, nós julgadores não podemos nos substituir ao órgão ministerial.”

Pet 16.662

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