O nosso voto representará um veto aos que conspiram contra a Constituição e a democracia. Será a expressão soberana de uma cidadania que conhece o valor da liberdade e que recusa entregar o destino da República aos que pretendem submeter as instituições aos seus interesses e ambições.

O sufrágio traduz, nesse contexto, um compromisso com a preservação das conquistas democráticas, com o respeito ao pluralismo e com a defesa de uma ordem política em que todos, inclusive os governantes, se submetam à autoridade da Constituição.
Defender a República significa preservar a supremacia do interesse público, exigir responsabilidade dos que exercem o poder e repelir a apropriação do Estado por pessoas, famílias ou grupos políticos.
A ideia republicana consagra uma exigência fundamental: o poder pertence ao povo, e aqueles que o exercem devem fazê-lo em benefício da coletividade, sujeitos aos limites constitucionais, à fiscalização da sociedade e ao dever permanente de prestar contas.
As instituições democráticas concretizam essa exigência. A independência dos Poderes, a integridade do processo eleitoral, a liberdade de imprensa, a legitimidade da oposição e o respeito aos direitos das minorias constituem garantias de uma sociedade livre.
Sua preservação exige de todos, especialmente dos agentes públicos, fidelidade à Constituição e respeito às competências que ela estabelece.
Que as urnas afirmem, com a força serena da vontade popular, a nossa resistência a qualquer projeto de poder que ameace os direitos fundamentais, comprometa a independência das instituições ou transforme adversários em inimigos a serem silenciados.
A legitimidade conferida pelo voto impõe limites e responsabilidades: nenhuma vitória eleitoral autoriza o arbítrio, nenhuma maioria pode abolir a liberdade e nenhum governante se eleva acima da Lei Fundamental.
Ninguém está imune
A defesa das instituições democráticas também exige compromisso com sua integridade e com seu aperfeiçoamento.
A crítica responsável, a transparência e a apuração regular de eventuais desvios fortalecem a República, porque reafirmam que ninguém está imune à lei.
A autoridade das instituições se consolida quando elas próprias observam os princípios cuja proteção lhes foi confiada e correspondem, com independência, probidade e responsabilidade, à confiança dos cidadãos.
Defender a democracia pelo voto é assumir, perante as gerações presentes e futuras, o dever de impedir que o poder volte a converter-se em instrumento de opressão.
Que o nosso voto seja, por isso, uma afirmação consciente da República e um compromisso firme com a continuidade da vida democrática.
Nas urnas, decidimos também sobre a preservação das condições que nos permitem escolher, fiscalizar, discordar e substituir os governantes.
Preservar essas condições é assegurar que o povo continue senhor de seu destino e que o exercício do poder permaneça submetido à liberdade, ao Direito e à Constituição.
Porque, quando a República é defendida, a liberdade permanece de pé.
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