O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, afirmou neste domingo (4/10) que os órgãos responsáveis pela segurança e pelo acompanhamento das eleições não identificaram evidências concretas de interferência estrangeira na votação. A avaliação foi apresentada durante entrevista coletiva sobre o andamento do primeiro turno, na sede do tribunal, em Brasília.
Segundo o ministro, os relatórios recebidos pela Justiça Eleitoral também não indicam ameaça do crime organizado ao pleito. Ele avaliou que a votação ocorre dentro da normalidade e atribuiu parte desse cenário à preparação conjunta do TSE com instituições públicas, entidades da sociedade civil e empresas de tecnologia.
Antonio Augusto/TSENunes Marques destacou que a colaboração com as plataformas digitais ajudou a reduzir problemas que poderiam atingir o processo eleitoral. Na avaliação do presidente, os esforços para adequar a atuação dessas empresas à legislação brasileira contribuíram para enfrentar riscos discutidos nos meses anteriores à eleição.
Apuração da PF
Mais cedo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou a abertura de uma apuração preliminar sobre possível interferência externa nas eleições, a pedido da Advocacia-Geral da União. Ele também afirmou que, até aquele momento, não havia comprovação de atuação de grupos estrangeiros sobre o pleito.
O pedido da AGU foi motivado por reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a previsão de destinação de aproximadamente R$ 5 milhões de um fundo do governo dos Estados Unidos a grupos brasileiros que criticam o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes. O caso está sob análise da Diretoria de Inteligência da PF.
Judicialização
Nunes Marques disse considerar possível que candidatos recorram à Justiça depois da votação. Para ele, esse movimento faz “parte da prática brasileira” de levar disputas eleitorais aos tribunais, especialmente quando envolvem suspeitas de abuso de poder político ou econômico.
O ministro ressaltou, porém, que o acompanhamento do sistema eletrônico de votação envolve diversas instituições, que participam da preparação e da fiscalização das eleições.
No balanço parcial divulgado durante a coletiva, o TSE informou a substituição de 1.121 urnas, cerca de 0,2% dos equipamentos utilizados no país. O presidente da corte eleitoral afirmou que as ocorrências não comprometeram os votos dos eleitores.
Sobre as filas registradas em algumas seções, Nunes Marques disse que situações semelhantes já ocorreram em outras eleições. No Paraná, apontou que as chuvas fortes levaram parte dos eleitores a procurar os locais de votação mais tarde, concentrando o movimento.
O tribunal também registrou mais de 6 milhões de downloads do e-Título e mais de 15 milhões de consultas aos locais de votação no sábado (3/10). Pelo programa Seu Voto Importa, mais de 8 mil eleitores de áreas remotas foram transportados para exercer o direito de votar.
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