Anthony Garotinho não está habilitado a concorrer nas eleições deste ano

Embora o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) alegue que a suspensão dos seus direitos políticos já terminou, os efeitos da condenação por improbidade administrativa se encerrarão, na verdade, somente em 2028. E, ainda que a tese de Garotinho estivesse correta, ele também não poderia concorrer às eleições estaduais deste ano porque se filiou ao atual partido enquanto estava com os direitos políticos suspensos.

Anthony Garotinho, político fluminenseTânia Rêgo/ Agência Brasil
Suspensão dos direitos políticos do ex-governador só terminará em 2028

Nesta semana, a 4ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro determinou o cumprimento definitivo da condenação e a expedição de ofícios à Justiça Eleitoral para comunicar a suspensão dos direitos políticos do ex-governador. A defesa de Garotinho contestou a decisão com a alegação de que os direitos políticos foram recuperados no início deste mês, pois o trânsito em julgado da ação teria ocorrido em 2018, quando ele perdeu o prazo para recursos.

O ex-governador, de fato, perdeu o prazo, mas isso ocorreu somente no dia 26 de maio de 2020. Ou seja, essa é a data do trânsito em julgado da ação de improbidade. Como a condenação suspendeu seus direitos políticos por oito anos, eles permanecem suspensos até 2028.

Os recursos ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal foram apresentados ainda em julho de 2018, mas ficaram parados para aguardar o desfecho de uma discussão no STF sobre a possibilidade de agentes políticos responderem por improbidade administrativa. A jurisprudência do STJ já dizia que sim, mas a decisão do Supremo (referente a prefeitos) poderia alterar o cenário — o que não ocorreu.

Foi então que o processamento dos recursos de Garotinho foi retomado. Em abril de 2020, a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, responsável por analisar se os recursos são admissíveis, considerou que eles foram apresentados dentro do prazo, mas rejeitou o envio às cortes superiores por entender que a discussão exigiria um reexame dos fatos (o que não é permitido).

Dois meses depois, o ex-governador apresentou agravo em recurso especial para tentar anular essa decisão, mas o prazo para isso havia se esgotado em maio. Esse prazo perdido é o marco de início da contagem do período de oito anos de suspensão dos direitos políticos.

Além disso, a filiação de Garotinho ao Republicanos, em 2024, é inválida. Isso porque a entrada em um partido só pode ocorrer se os direitos políticos do cidadão estão em vigor. Isto é, o ex-governador não poderia estar filiado à legenda atual antes do fim dos efeitos de sua condenação. Portanto, ainda que a tese da defesa prevalecesse, o político não poderia ter se filiado.

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