O governo brasileiro repudiou a revogação do visto da embaixadora nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada nesta terça-feira (4/8). O país norte-americano justificou a medida pela demora na resposta sobre a concessão de aprovação diplomática do indicado do governo de Donald Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil.

José Cruz/Agência BrasilEssas alegações foram rebatidas pelo governo brasileiro, que as classificou como falsas. “O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje (terça-feira) pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas.”
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil. Segundo o governo, o nome só pode ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião.
O pedido dos EUA, acrescenta a nota, ainda está em análise. “Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément (documento de aceitação da indicação).”
Medidas hostis
O governo do Brasil também citou a negativa de visto a dois funcionários do governo dos Estados Unidos, alegando que a presença de ambos no país tinha como objetivo colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. “Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente.”
A nota afirma que o episódio desta terça faz parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil. “A decisão de hoje (terça-feira) não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo.”
O Palácio do Planalto lembrou que autoridades brasileiras, como funcionários do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal, ainda estão sob sanções da Lei Magnitsky, impostas pelo governo americano em retaliação à condenação de Jair Bolsonaro (PL) por golpe de Estado. E ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem feito esforços pelo entendimento entre os dois países.
“O governo brasileiro não poupou esforços para resolver essas diferenças. O próprio presidente Lula, em sua visita a Washington em maio último, entre outros assuntos, solicitou ao presidente Trump o levantamento das sanções individuais”. Com informações da Agência Brasil.
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