Banca empresarial exige departamentos altamente especializados, diz Décio Freire

Um bom escritório de advocacia empresarial tem especialistas em todos os temas que são de interesse das empresas ou demandados por elas. A banca empresarial ideal conta com departamentos altamente especializados, que possam ser equiparados a qualquer escritório menor voltado a um único ramo do Direito.

Décio FreireTV ConJur
Décio Freire, sócio fundador do renomado escritório empresarial que leva seu nome

Essa é a realidade do escritório que leva o nome do advogado Décio Freire. Em entrevista à TV ConJur, ele explica as vantagens desse modelo para solucionar as crises dos clientes.

Uma das principais bancas do país na advocacia empresarial, o Décio Freire Advogados, fundado há 34 anos, tem atualmente 11 unidades e 21 departamentos comparáveis a escritórios boutique das respectivas áreas.

“Meu departamento de Direito Ambiental é tão especializado como qualquer escritório exclusivamente ambiental. Assim como o departamento de Direito Penal é tão especializado como qualquer advogado criminalista que tem um escritório próprio apenas na área criminal”, conta o sócio fundador. Com isso, a banca consegue uma interação entre áreas e especialidades que traz para o cliente um enorme ganho de eficiência”.

Ao analisar o “extremamente competitivo” mercado atual da advocacia, Freire avalia que os pequenos escritórios vão sofrer com o avanço da inteligência artificial (IA) e com os efeitos da Reforma Tributária — que, na sua visão, “atinge fortemente” as sociedades de advogados e ainda causa insegurança por ter sido mal discutida.

Omissão do Estado

Na percepção de Freire, o Estado brasileiro é muito ausente em relação a uma série de aspectos. E quem paga por isso é o empresário e o cidadão.

Ele citou problemas como a aprovação do Orçamento e outros projetos importantes a toque de caixa, as altas taxas de homicídio, o número crescente de empresas em recuperação judicial, o endividamento das famílias e do agronegócio, entre outros.

Por outro lado, na área tributária, o Estado não é nada ausente. “Para impor e criar tributos, há uma criatividade e uma eficiência nunca vistas. E uma fiscalização absurda.”

Segundo o advogado, os empresários não aguentam mais essa situação: muitos clientes pensam em se mudar. Ao mesmo tempo, países como Paraguai e Uruguai, com muito menos riquezas e um mercado muito menor, “estão sendo portos seguros para investimento de brasileiros”, pois têm maior segurança jurídica.

“O Estado realmente precisa de um freio de arrumação”, conclui. “Mas é urgente.”

O papel do Judiciário

Para Freire, a Justiça tem papel fundamental no desenvolvimento do país, na medida em que “pode enfrentar abusos e arbitrariedades praticadas pelo próprio Estado e seus órgãos de fiscalização”.

Por outro lado, ele vê, em uma minoria dos casos, “uma falta de sensibilidade para a nossa situação real brasileira”.

Uma de suas críticas é à Justiça do Trabalho, que “não aceitou a Reforma Trabalhista e deliberadamente entendeu por bem não aplicar determinados dispositivos”. O resultado disso é um alto número de reclamações constitucionais apresentadas no Supremo Tribunal Federal. “Não aceitam o instituto da terceirização”, exemplifica.

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