A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio, determinou duas medidas importantes no processo de recuperação judicial do Club de Regatas Vasco da Gama e da Vasco da Gama SAF.
Matheus Lima/VascoA primeira reduz de dois para um o número de administradores judiciais responsáveis por acompanhar as contas do clube. A segunda cria a figura de um observador judicial, uma espécie de fiscal extra, para vigiar de perto a atuação dessa administração.
Até agora, duas empresas dividiam a tarefa de administrar judicialmente o processo, mas, atendendo a um pedido reiterado do Ministério Público, a juíza decidiu manter apenas uma na função e dispensar a outra, agradecendo pelo trabalho prestado.
A decisão levou em conta o tempo já decorrido do processo e a proximidade do fim do período de supervisão judicial, o que reduziu as atribuições necessárias para essa fiscalização.
Observador judicial
A parte mais relevante da decisão trata da nomeação de um observador judicial, também chamado de watchdog — cão de guarda em inglês — ou gatekeeper — guardião do portão.
Segundo a julgadora, esse novo personagem é necessário porque surgiram sinais de contradição entre o que vinha sendo informado ao processo e a realidade encontrada.
A juíza explicou que os relatórios anteriores da administração judicial, incluindo o 12º relatório, de junho de 2026, indicavam normalidade na condução do clube. Pouco depois, porém, uma ação separada apontou o que foi descrito como falhas graves de governança e piora da situação financeira das entidades.
Além disso, em julho, o próprio Vasco pediu autorização para um novo empréstimo emergencial de R$ 40 milhões, alegando necessidade imediata de caixa para pagar despesas rotineiras, como salários de atletas e fornecedores.
Diante disso, a juíza concluiu ser necessário um profissional independente para checar, com mais rigor, se as informações prestadas pelo clube à administração judicial são verdadeiras e estão sendo passadas em tempo hábil.
O observador terá a tarefa de analisar de forma crítica as informações produzidas pela própria administração judicial antes que elas cheguem à juíza e verificar se há atraso ou omissão do clube no envio de documentos que deveriam ser entregues à administração judicial.
O profissional deverá atuar de forma contínua, sem prazo definido, até nova decisão da Justiça, e manter neutralidade e independência em relação a todas as partes envolvidas no processo.
O escritório nomeado ainda precisa confirmar se aceita a função e apresentar uma proposta de honorários. Com informações da assessoria de imprensa do TJ-RJ.
Processo 0943414-78.2024.8.19.0001
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